Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010
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Centenário de Tancredo Neves PDF Print E-mail
Tuesday, 09 March 2010
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“ O Congresso Nacional ao homenagear Tancredo Neves assume também os compromissos que marcaram sua vida e até mesmo sua morte, quais sejam a defesa do Estado de direito, o respeito às liberdades fundamentais de pessoa humana e o compromisso com a justiça social”, afirmou o senador Francisco Dornelles (PP/RJ), em artigo publicado no Jornal do Commercio (RJ) e no Estado de Minas em 04/03/2010. A seguir, íntegra do artigo.

Na homenagem que o Congresso Nacional prestou ao presidente Tancredo Neves foi ressaltado que o homenageado ocupou todos os cargos do Poder Legislativo. Vereador em São João Del Rei, deputado estadual pelo Estado de Minas Gerais, deputado federal em várias legislaturas, senador da República. Em 1953 Tancredo Neves deixou o cargo de deputado federal e assumiu o Ministério da Justiça no governo Getúlio Vargas. E foi neste período que presenciou uma das maiores crises e tragédias da vida política do País que resultou na morte do presidente da República.

Nessa ocasião, o político conciliador de Minas Gerais não vacilou um momento sequer em preparar a defesa das instituições democráticas tendo mesmo se oferecido, como conta o historiador José Augusto Ribeiro, para assumir o então Ministério da Guerra, prender os generais rebelados e comandar a resistência. Este mesmo político 7 anos após, em 1961, rejeitou o confronto defendido pelo governador Leonel Brizola e conduziu uma ampla negociação que permitiu a chegada de João Goulart à Presidência da República. A Atuação de Tancredo Neves nessas duas situações não mostrou nenhuma incoerência. Mostrou sim uma grande capacidade de identificar o fato e o momento, o que é fundamental no jogo da política.

Em 1954, Tancredo Neves entendeu que a negociação proposta pelo então vice-presidente da República Café Filho para o afastamento de Getúlio Vargas era o caminho para um golpe de Estado que só foi abafado pelo movimento de 11 de novembro. Em 1961, a negociação proposta era o caminho mais seguro para se debelar o golpe de Estado desenhado, permitindo a chegada de João Goulart à Presidência da República e a manutenção do Estado democrático.

No gabinete parlamentarista por ele chefiado em 1961, Tancredo Neves mostrou sua grande capacidade de coordenação e de liderança. A mudança do regime presidencialista para o parlamentarista ocorreu em poucos dias, durante uma grave crise política e foi realizado sem grandes estudos que definissem com clareza a competência do presidente da República e do primeiro ministro.

O primeiro gabinete parlamentarista no Brasil se apoiou mais na base do humanograma do que em bases institucionais e só funcionou quando foi possível um amplo entendimento entre o presidente da República e o primeiro ministro. As grandes metas do gabinete parlamentarista de Tancredo Neves eram a retomada da estabilidade política e da segurança institucional, ambas dificultadas enormemente pela posição política de grupos radicais.

Quando deixou o cargo de primeiro ministro, em junho de 1962, Tancredo Neves, chegando a Belo Horizonte, foi abordado por um Jornalista com a seguinte pergunta: o senhor pode indicar uma grande obra que constitua uma marca do seu gabinete parlamentarista?

Tancredo Neves respondeu! O meu gabinete vai ser visto pela história, não pelo que fez mas pelo que impediu que fosse feito. Realmente tudo que Tancredo Neves procurou evitar que fosse feito no período de 1961-1962 ocorreu em 1963, e resultou no movimento de 31 de março de 1964.

Tancredo Neves assumiu o governo de Minas Gerais em 1983 e em prazo muito curto mostrou seu compromisso e sua prioridade com a ordem financeira, o que permitiu ganhar a confiança da equipe econômica do Governo Figueiredo e muito facilitou a rolagem da dívida pública de Minas Gerais, que era um grande empecilho para uma política de investimentos no Estado.

Em determinado momento,em 1984, Tancredo Neves chamou-me ao Palácio da Liberdade. Gostaria ele que eu levasse pessoalmente mensagem sua ao então presidente Figueiredo. Iria ele, Tancredo Neves, atender ao apelo do PMDB e disputar a Presidência da República. No caso de vitória, o seu governo iria olhar para frente. Do passado cuidaria a história. O presidente Figueiredo respondeu: "É uma pena, que o Dr. Tancredo deixe o governo de um grande Estado para sofrer uma derrota galopante no colégio eleitoral."

Quando o presidente Figueiredo entendeu que iria ter ele derrota galopante no colégio eleitoral, Tancredo Neves já havia através de ação eficaz e silenciosa praticamente concluído o mais amplo trabalho de união nacional que já conheceu a História do Brasil. A campanha presidencial de 1984-1985, teve momentos complexos e difíceis que só foram contornados pela competência política e pela grande capacidade de Tancredo Neves, de conciliar humildade com firmeza e coragem.

A homenagem prestada a Tancredo Neves no Congresso Nacional ocorreu em circunstâncias altamente significativas no campo político e pessoal. O Senador José Sarney, que atuou com a maior diligência no desenho da Aliança Democrática e no desmonte de complexos obstáculos encontrados no caminho da vitória eleitoral de 1985, preside o Congresso Nacional. O governador Aécio Neves, a frente do Estado de Minas Gerais vem exercendo trabalho da maior relevância, que faz com seu nome atravesse as fronteiras do Estado que governa e se consolide como uma grande liderança nacional.

O Congresso Nacional ao homenagear Tancredo Neves assume também os compromissos que marcaram sua vida e até mesmo sua morte, quais sejam a defesa do Estado de direito, o respeito às liberdades fundamentais de pessoa humana o compromisso com a justiça social.

 


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